quinta-feira, 14 de setembro de 2017


O Papa Francisco enviou uma mensagem ao Presidente da República Portuguesa ao sobrevoar os Açores, na sua viagem de regresso a Roma, após uma viagem à Colômbia.
“Quando a minha viagem de regresso a Roma me leva mais uma vez a atravessar o vosso espaço aéreo, renovo cordialmente as minhas orações por todo o português, para que possa ser abençoado com abundantes bênçãos de Deus Omnipotente”, refere o texto divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé. Este é o texto original que pode ser lido no site da News, o site oficial de notícias do Vaticano: “Portogallo – Azzorre - His Excellency Marcelo Rebelo de Sousa President of the portuguese republic. As my return journey to Rome takes me once more through your airspace, I cordially renew my prayers that all the portuguese people may be blessed with the abundant blessings of almighty god. Franciscus pp”.
O Papa concluiu Domingo a sua primeira viagem à Colômbia, após cinco dias marcados por apelos em favor da paz e da reconciliação num país que procura sair de 52 anos de guerra civil.

Críticas a governantes sobre alterações climáticas e políticas de imigração

Entretanto, o Papa Francisco deixou críticas aos governantes que questionam as alterações climáticas, falando aos jornalistas no voo de regresso a Roma, desde Bogotá. “A história julgará as decisões” desses políticos, defendeu.
Francisco foi questionado sobre a série de furacões que atingiram a região das Caraíbas e a sua relação com as mudanças climáticas a nível global.
“Quem nega isto, deve ir perguntar aos cientistas, eles falam com clareza”, disse, em conferência de imprensa, após uma viagem de cinco dias à Colômbia, que se encerrou Domingo (madrugada de Segunda-feira nos Açores).
O Papa sublinhou que a defesa dos recursos naturais é uma responsabilidade comum: “Todos nós temos uma responsabilidade, todos, grande ou pequena, uma responsabilidade moral”.
“Devemos levar isto a sério, é algo com que não se deve brincar, é muito sério”, acrescentou.
O pontífice falou depois do “dever de gratidão” perante o acolhimento aos imigrantes que foi dado pela Itália e a Grécia, pedindo “coração aberto, paciência, integração e proximidade humanitária” a populações que enfrentam os perigos da travessia do Mediterrâneo e dos “lager no deserto”.
Questionado sobre a decisão da administração Trump de terminar o programa que protege 800 mil jovens indocumentados nos EUA, Francisco deixou votos de que a decisão possa ser revertida, em nome de uma política “pró-vida”.
“Se é um bom pro-life, entende que a família é o berço da vida e deve ser defendida na sua unidade”, precisou.

Missa pelos direitos humanos encerra visita do Papa Colômbia Francisco retomou as preocupações com o “problema humano” na Venezuela, esperando que a ONU se “faça ouvir” para ajudar a população afectada pela crise.
O Papa concluiu a sua primeira viagem à Colômbia, após cinco dias marcados por apelos em favor da paz e da reconciliação num país que procura sair de 52 anos de guerra civil.
“Colômbia, o teu irmão precisa de ti! Vai ao seu encontro, levando o abraço da paz, livre de toda a violência”, pediu, na saudação de despedida que pronunciou na zona portuária da cidade de Cartagena, a norte do país.
Francisco, que esperou pelo fim das negociações de paz para se deslocar à Colômbia, sublinhou desde a sua primeira intervenção a necessidade de evitar a tentação de “vingança” entre as partes que estiveram no conflito.
“Que este esforço [de paz] nos faça fugir de qualquer tentação de vingança e busca de interesses particulares e de curto prazo”, assinalou, perante o presidente da República e outras autoridades civis, em Bogotá.

A mesma mensagem foi deixada aos jovens, desafiados a perdoar, depois dos momentos “difíceis e obscuros” que o país viveu, em busca de uma paz “autêntica e duradoura”.
O Papa encontrou-se com os bispos da Colômbia, chamados por ele a estar na linha da frente contra a violência e corrupção no país, falando depois do “rosto mestiço” da Igreja Católica, perante os membros do Comité Directivo do Conselho Episcopal Latino-Americano.
Ainda em Bogotá, Francisco presidiu a uma Missa para mais de um milhão de pessoas tendo deixado gestos e palavras em defesa da vida.
Um dos pontos altos do programa foi a “grande vigília” de oração pela reconciliação nacional da Colômbia, na presença de 6 mil vítimas do conflito armado.
A viagem, que foi acompanhada por milhões de pessoas nas celebrações ao ar livre e nas ruas por onde passou o papamóvel, concluiu-se com a Missa na área do porto de Cartagena, com nova mensagem contra o narcotráfico.


Fonte: Correio dos Açores